A temporada de queimadas no Brasil atinge seu pico entre agosto e setembro e é justamente no final desse ciclo que muitos gestores cometem um erro crítico: relaxar os protocolos de segurança antes que o risco tenha de fato diminuído. Setembro concentra alguns dos maiores registros históricos de focos de incêndio do país, combinando vegetação extremamente ressecada após meses de seca com ventos que favorecem a propagação rápida do fogo.
Continue a leitura para entender por que os cuidados com a temporada de queimadas precisam ser redobrados em setembro, quais regiões concentram os maiores riscos nesse período e o que empresas e equipes de campo podem fazer para atuar com segurança.
Por que setembro é o mês mais crítico da temporada de queimadas
Ao longo da temporada seca, a vegetação vai perdendo progressivamente sua umidade. Em setembro, após meses sem chuvas significativas, o acúmulo de biomassa seca atinge seu ponto máximo, o que torna o ambiente mais propício à ignição e à propagação do fogo do que em qualquer outro momento do ano.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), setembro é historicamente o mês com maior número de focos de calor registrados no Brasil. Além disso, os ventos típicos do final do inverno e início da primavera no hemisfério sul aceleram a propagação das chamas e dificultam o trabalho de contenção. Portanto, encerrar ou reduzir os protocolos de prevenção antes do fim de setembro é um risco que nenhuma operação pode assumir.
Quais regiões concentram os maiores riscos em setembro
Embora a temporada de queimadas afete praticamente todo o território brasileiro, alguns biomas e regiões concentram historicamente os maiores índices de ocorrência em setembro:
Amazônia
Setembro é o mês de maior pressão sobre a Amazônia, com focos de incêndio fortemente associados ao desmatamento e à conversão de áreas para uso agropecuário. O impacto é global, tanto pela biodiversidade ameaçada quanto pelas emissões de carbono.
Cerrado
O bioma mais afetado em número absoluto de focos ao longo de toda a temporada. A vegetação arbustiva e as gramíneas secas do Cerrado são altamente inflamáveis, e a dispersão geográfica do bioma dificulta o monitoramento e o combate.
Pantanal
Historicamente vulnerável a eventos extremos durante a temporada seca, o Pantanal enfrenta em setembro condições que podem se agravar rapidamente com a mudança de ventos e a baixa umidade residual.
Caatinga e regiões do Centro-Oeste
Também registram aumento de focos em setembro, especialmente em anos com fenômenos climáticos como o El Niño, que intensifica a seca e eleva o risco de propagação.
Os riscos para trabalhadores no fim da temporada de queimadas
O final da temporada de queimadas é particularmente perigoso para brigadistas, equipes de monitoramento e trabalhadores rurais por uma combinação de fatores:
- Fadiga operacional: equipes que atuam desde junho ou julho chegam a setembro com acúmulo de esforço físico e psicológico, o que aumenta o risco de erros e acidentes
- Subestimação do risco: a proximidade do fim da temporada pode gerar uma percepção equivocada de que o perigo diminuiu
- Condições extremas de vegetação: a biomassa seca acumulada ao longo de meses torna os incêndios de setembro particularmente intensos e de difícil controle
- Ventos variáveis: as mudanças climáticas do início da primavera geram ventos imprevisíveis que podem alterar rapidamente a direção e a velocidade de propagação do fogo
Além disso, a exposição prolongada à fumaça ao longo de toda a temporada aumenta o risco de doenças respiratórias entre as equipes de campo, mesmo com o uso de proteção adequada.
O que diz a legislação sobre proteção em operações de queimadas
A atuação de brigadistas e equipes de campo durante a temporada de queimadas é regulamentada por um conjunto de normas que estabelecem obrigações tanto para as empresas quanto para as equipes:
- NR-06: estabelece a obrigatoriedade do fornecimento de EPIs adequados ao risco, com Certificado de Aprovação (C.A.) válido. Instrução Normativa IBAMA nº 02/2014: regulamenta os requisitos mínimos de treinamento e equipamentos para brigadas de incêndio em unidades de conservação
- NFPA 1977: norma americana de referência para roupas e equipamentos utilizados no combate a incêndios florestais, amplamente adotada como parâmetro técnico no Brasil
Como se preparar para o fim da temporada de queimadas
Manter os protocolos de segurança ativos até o encerramento definitivo da temporada de queimadas é a principal medida que empresas e gestores podem adotar. Na prática, isso significa:
- Manter o estoque de EPIs completo: roupas de proteção térmica, luvas, capacetes, botas e respiradores precisam estar disponíveis e em bom estado até o fim da temporada
- Não reduzir o efetivo de brigadistas prematuramente: setembro ainda exige equipes completas e treinadas para resposta rápida
- Monitorar continuamente os focos de calor: utilizar as plataformas do INPE e dos órgãos estaduais de defesa civil para acompanhar a evolução dos riscos na região
- Revisar e repor EPIs desgastados: equipamentos utilizados ao longo de meses de operação intensa podem ter sua eficácia comprometida pelo desgaste acumulado
- Manter os trabalhadores hidratados e com pausas regulares: a fadiga operacional é um fator de risco real no final da temporada
Prevenção além do combate
A temporada de queimadas também é o momento de revisar e aprimorar os protocolos para o próximo ciclo. Empresas que utilizam esse período para mapear falhas, atualizar treinamentos e renovar estoques de EPIs chegam à próxima temporada mais bem preparadas e com menor exposição a riscos operacionais e legais.
Da mesma forma, contar com um fornecedor que garanta pronta disponibilidade de equipamentos de proteção durante toda a temporada — e não apenas no início dela — é um diferencial crítico para operações que não podem paralisar por falta de EPI.
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